Site desenvolvido por Ligado na Net :

DestaquesEsportes

Presidente do Atlético-MG fala sobre discussão entre LFF e Libra: “Sem união dos clubes, não há liga”

Sérgio Coelho aponta “cláusula de garantia” de Corithians e Flamengo como grande obstáculo

Há uma pedra no caminho chamada “cláusula de garantia” para Flamengo e Corinthians na tentativa de acordo entre a Liga Forte Futebol e a LIBRA, os dois blocos de clubes que querem fazer uma nova Liga do Futebol Brasileiro. O presidente do Atlético-MG, Sérgio Coelho, um dos líderes da LFF, explica sua visão do assunto e o porquê de, no momento, não ter havido o aperto de mãos.

Em entrevista ao ge, o presidente do Galo elenca quatro fatores (veja abaixo) para que a cláusula de manter valores mínimos dos direitos de TV para os dois clubes de maiores torcidas do Brasil ser mal vista pelos membros da LFF. Eles estão situados no atual acordo dos direitos de transmissão, a chegada da Lei do Mandante, e os 20% que os clubes irão vender da participação das ligas para fundos de investimento.

Sérgio Coelho ainda aponta que a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, que está na Libra, também já está em discordância com a “cláusula de estabilidade”.

“Só existirá uma liga no futebol brasileiro se os 40 clubes se unirem. Sem essa união, não existe liga.”

– A liga do futebol brasileiro tem que ser os 40 clubes, 20 da Série A, outros 20 da Série B. E com capacidade de organizar os Brasileiros das duas divisões, vender as propriedades juntos. Se não for dessa forma, as associações (LFF e Libra) não irão organizar seus campeonatos. Cada associação venderá seus direitos em blocos – disse Sérgio Coelho.

Sérgio Coelho, presidente do Galo, é um dos líderes da Liga Forte Futebol — Foto: Pedro Souza/CAM

Sérgio Coelho, presidente do Galo, é um dos líderes da Liga Forte Futebol — Foto: Pedro Souza/CAM

O ponto que causa polêmica e distanciamento entre os dois blocos está presente na proposta de liga da LIBRA. Ele fala que Corinthians e Flamengo, num período de transição de cinco anos – de 2025 a 2029. Seria, traçando um cenário, que os dois clubes manteriam o mesmo valor recebido no contrato atual de TV, caso a distribuição das cotas da receita de transmissão de jogos da nova liga ficasse abaixo do que eles recebem. Daí os nomes de “estabilidade” ou “garantia”.

– O Atlético tem desempenhado muito, assim como outros times, para tentar a união dos dois blocos. Existe um ponto muito difícil de se acertar, que é a cláusula de garantia ao Flamengo e ao Corinthians. Nós, da LFF, não concordamos com isso. Assim como a Leila (Pereira, presidente do Palmeiras) percebeu e não aceita também. E acredito que outros clubes da Libra deveriam acompanhar esse raciocínio. Se eles perceberam e estão de acordo, então paciência… – afirmou.

Os quatro pontos do presidente do Galo:

  1. “Nas planilhas apresentadas pela Libra, ela coloca um valor que o Flamengo, por exemplo, recebe anualmente R$ 236 milhões de TV. E eles querem que a gente garanta esses valores, corrigidos, para os anos de 2025 a 2029 (cinco anos). Eles não deduzem desses R$ 236 milhões os 20% que o Flamengo estaria vendendo para o investidor*. Ele recebe R$ 236 milhões por 100% que detém. Se ele vende 20%, teria de ser um valor proporcional a 80%, o que daria R$ na casa dos 188 milhões. Seria como se você tivesse um táxi, e o alugasse recebendo R$ 5 mil por mês. Então, você vende 20% desse táxi, e ainda quer continuar ganhando 100% do aluguel (R$ 5 mil)”.
  2. “Quando o Flamengo e outros clubes venderam seus direitos de TV no passado, não havia muito critério. Era uma negociação mais solta da TV com os clubes. Se pagou determinados valores para cada um. Vamos considerar que Atlético, Internacional, Grêmio e Cruzeiro são times que recebem a mesma faixa de valor, historicamente. Estão na mesma linha. Atlético e Cruzeiro fizeram negociação parecida em 2016. Inter e Grêmio fizeram negociações separadas entre si. Desses quatro, dois receberam de uma forma, um recebeu de uma forma mais prejudicada, e outro clube (Grêmio) de uma forma mais benéfica. Algo sem critério”.
  3. “Em 2016, o PPV estava em ascensão. Por conta da pirataria e outros fatores, percebemos um declínio. E eles projetaram que o PPV fosse aumentar. Se o Flamengo fosse receber igual a Atlético, Inter e Cruzeiro recebem, sem o mínimo garantidos, o Flamengo receberia R$ 90 milhões, que é metade do que realmente irá receber em 2024 (R$ 180 milhões)”.
  4. “O último ponto é a lei do mandante. Quando todos os clubes venderam os direitos em 2016, eles venderam… O Flamengo e o Corinthians que querem o mínimo garantido. Eles venderam 38 jogos cada um. Não existia a “Lei do Mandante”**. E hoje, só podem negociar 19 jogos. Então, não podemos garantir para esses dois clubes um valor que eles recebem hoje pautados no mínimo garantido. Hoje, eles receberiam 60% do valor atual sem essa cláusula. Eles estão sendo beneficiados por uma boa negociação que fizeram no passado. Mas não podemos dar a eles mais cinco anos desse cenário superpositivo. Essa é a dificuldade que temos para unir a Liga.”

*A LFF e a LIBRA têm, cada uma, um fundo de investimento que fez pré-contrato para comprar 20% da futura liga. Na LFF, é o Serengeti, na LIBRA, é o Mubadala. No caso do Galo, na LFF, os 20% renderiam R$ 200 milhões por 50 anos.

**A Lei 14.205/21 modificou a forma de venda de direitos de TV. Antes, os clubes envolvidos na partida deveriam concordar com a exibição do jogo em determinada plataforma de mídia. Agora, apenas o mandante é o dono da autorização. Em artigo publicado na Revista Placar, o ex-diretor de competições da CBF, Manoel Flores, escreveu: “Ou seja, por mais contraditório que pareça, a Lei do Mandante acaba empurrando indiretamente os clubes para a venda coletiva”

Fonte Por Fred Ribeiro

Presidente do Atlético-MG fala sobre discussão entre LFF e Libra: “Sem união dos clubes, não há liga” | atlético-mg | ge (globo.com)