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Análise: Botafogo joga mal e aumenta pressão a um mês da Libertadores

Derrota para o Boavista mostra um time sólido na defesa, mas com dificuldades para furar retranca

Botafogo perdeu o 100% de aproveitamento ao ser derrotado pelo Boavista por 1 a 0, gol de Sheldon, na última quarta-feira pelo Campeonato Carioca. Mais do que o resultado, a atuação é motivo de preocupação para o torcedor alvinegro.

Debaixo de muita chuva em Bacaxá, o Botafogo não teve um grande começo de partida. O time tinha dificuldades de trabalhar a posse da bola. O Boavista tentava estocar em velocidade, mas cometia muito erros de execução quando chegava no ataque.

O gramado pesado dificultou o jogo de transição com Jeffinho e Victor Sá, dois jogadores abertos que gostam muito de carregar a bola e não conseguiam fazer.

Tiquinho e Eduardo tentavam prender a bola, mas cometiam muitos erros e geravam pouco perigo. Em uma bola parada, o Boavista castigou a pouca agressividade do Botafogo.

Pablo Maldini cruzou, Sheldon subiu entre Marlon Freitas e Lucas Halter para raspar de cabeça e abrir o placar para a equipe de Saquarema. O Glorioso foi para o intervalo com sete finalizações, mas nenhuma delas realmente levou perigo ao gol defendido por André Luiz.

A vantagem deu conforto para a equipe de Saquarema, que se fechou atrás para evitar riscos. Mesmo com a bola, o Alvinegro não conseguia empurrar o adversário para trás para pressionar e gerar boas chances de gol.

A pedido da torcida, Tiago Nunes colocou Júnior Santos em campo no lugar de Marlon Freitas, formando um 4-3-3 com Jeffinho, Tiquinho e Júnior no ataque.

O time apostou em muitos cruzamentos, todos rebatidos sem dificuldade pela alta zaga do Boavista. Foi pelo alto que veio a melhor chance alvinegra, em cobrança de falta de Hugo que Alexander Barboza desviou de cabeça e parou em André Luiz.

Tchê Tchê em Botafogo x Boavista — Foto: André Durão

Tchê Tchê em Botafogo x Boavista — Foto: André Durão

Mesmo sem um lateral-direito de ofício disponível, o Botafogo é a equipe que mais tentou cruzamentos até agora no Campeonato Carioca (85 em três jogos). Na derrota para o Boavista, nesta quarta-feira, foram 54 bolas colocadas na área – menos da metade gerou jogadas de perigo.

As mexidas de Nunes deram mais velocidade e força física ao Botafogo, com as entradas de Marçal, Kauê e Janderson, nos lugares de Barboza, Eduardo e Hugo.

Os últimos minutos foram de pressão alvinegra, mais uma tentativa de abafa levantando muitas bolas na área do que propriamente um domínio coordenado.

Linha de três permanece

Tiago Nunes não conta com Rafael, lesionado, e Mateo Ponte, convocado para o Uruguai na disputa do pré-olímpico. As opções para a ala-direita, já que a formação utilizada tem uma linha de três defensores, são Victor Sá e Júnior Santos, ambos pontas.

O primeiro foi quem começou jogando nós dois primeiros jogos que o Alvinegro atuou com o time titular. O camisa 7 terminou 2023 com boas atuações na ponta esquerda, mas foi deslocado para uma função defensiva no flanco oposto. Contra o Boavista, passou dificuldade de marcação e fez a falta que gerou o gol adversário.

Júnior é um ponta que recompõe mais, mas tem a arrancada e o drible de cortar para dentro como pontos fortes do jogo. Contra o Bangu, o camisa 11 chegou a marcar um gol, porém não conseguiu se criar nas jogadas características.

O que fazer? Três jogos e a dor de cabeça no setor persiste. Enquanto o Botafogo não contrata, parece utópico insistir em um esquema que mina as principais características de dois dos jogadores que não se esconderam mesmo na pior fase do time na reta negativa de 2023.

Em Bacaxá, no Estádio Elcyr Resende, houve a clara definição desse problema: as melhores chances do Botafogo nasceram no lado esquerdo, com Jeffinho liderando ações. Na direita, Victor Sá sempre saía atrasado por estar recuado, enquanto Eduardo, deslocado, pouco criou.

Boavista x Botafogo Jeffinho — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Boavista x Botafogo Jeffinho — Foto: Vitor Silva/Botafogo

A formação com três jogadores na linha de defesa tem fatores interessantes, como a liberdade para Jeffinho perto de Tiquinho e o protagonismo de Danilo Barbosa. Mas o “desperdício” de dois bons jogadores, no momento, fala mais alto. A contratação de um lateral-direito é prioridade a cada jogo que passa.

Mais do que formação com linha de três ou de quatro, o que faltou ao time foi agressividade, se impor contra um time tecnicamente inferior, empurrar para trás e criar chances. É ainda o terceiro jogo do ano, mas há urgência.

A menos de um mês da estreia na Pré-Libertadores, Tiago Nunes tem muito trabalho pela frente para transformar um time que é ainda um esboço do que pode ser. O Botafogo corre contra o tempo e precisa de reforços para ser mais competitivo.

Fonte Por Giba Perez e Sergio Santana 

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