Alívio temporário do auxílio emergencial de R$ 600 teve maior impacto entre as crianças, mostra estudo
Levantamento feito pelo economista Paulo Tafner apontou queda de 2,2 pontos percentuais na pobreza com benefício de R$ 600 em 2020
Geralda Doca11/04/2022 – 00:01 / Atualizado em 11/04/2022 – 07:25
BRASÍLIA – O auxílio emergencial de R$ 600, criado em 2020 para amenizar os efeitos da pandemia na economia, foi capaz de reduzir a pobreza em 2,2 pontos percentuais (p.p.) entre 2019 e 2020.
Nesse período, com o benefício aprovado pelo Congresso com um valor bem acima do inicialmente proposto pelo governo, foram tirados da situação de pobreza 4,27 milhões de pessoas. O percentual de pobres no país caiu de 19,2% para 17% naquele momento, a maior queda em uma década.
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A conclusão é de um estudo do economista Paulo Tafner para o Instituto de Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) que utilizou como base a mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE e considerou como pobres quem tem renda de até meio salário mínimo por pessoa da família.
Com base no universo de 68,2 milhões de pessoas beneficiadas em 2020, o estudo constatou que a redução da pobreza foi mais expressiva entre crianças e adolescentes do que entre adultos e idosos.
Esses segmentos da população têm acesso a outros programas como aposentadoria, desemprego, por exemplo. Pessoas já atendidas pelo governo não puderam receber o auxílio.
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Na faixa etária de até 5 anos, a incidência de pobres baixou de 32,6% da população para 26,8% na época. Já entre 40 anos e 64 anos, o percentual passou de 13,3% para 12,6%. Acima de 65 anos, o índice subiu 1 ponto percentual, para 4,7%.
Para o economista, o uso do Cadastro Único como principal base para a concessão do auxílio foi fundamental pra reduzir a pobreza em 2020, justamente, por atender pessoas que estavam fora do Bolsa Família.
— A gente sabe que o Cadastro é composto por gente pobre ou, não sendo pobre, está relativamente próximo da pobreza. São possíveis candidatos ao Bolsa Família. Ele é bem maior. Basicamente, o auxílio emergencial foi dado às pessoas pobres ou próximas da pobreza — afirmou Tafner.
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Ele explicou que existiam casos de famílias que estavam inscritas no Cadastro, mas que não recebiam o Bolsa Família porque ainda aguardam na fila, diante da falta de recursos do Orçamento federal. Elas foram beneficiadas pelo auxílio e os que já recebiam o Bolsa Família migraram porque o valor era mais vantajoso.
Impacto mais forte também na zona rural
Também foram contempladas pessoas que não atendiam aos requisitos do Bolsa Família. O Cadastro é alimentado pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), que são muito atuantes no cadastramento de pessoas de baixa nas áreas urbanas e rurais, disse.
— Esse cadastro é mais exaustivo para as regiões Norte e Nordeste, onde as famílias que ganham até R$ 3 mil estão mais concentradas. Não é o que ocorre nas regiões metropolitanas e em grande proporção no Sudeste e no Sul. Sobretudo nas regiões metropolitanas, a renda familiar é um pouco mais alta — ressaltou o economista.
Fonte: Geralda Doca

