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R$ 22,4 mi em 6 meses: entenda investigações sobre empresas ligadas à Virginia

Relatórios de movimentações financeiras apontam possíveis indícios de lavagem de dinheiro e inconsistências fiscais

Captura de tela da publicação do Instagram oficial da influenciadora Virgínia Fonseca.
Captura de tela da publicação do Instagram oficial da influenciadora Virgínia Fonseca.Reprodução / Instagram

A influenciadora Virginia Fonseca tem recebido os olhares não somente do seu público, mas, recentemente, também da Polícia Federal (PF), em investigações que apontam para possíveis irregularidades de empresas ligadas à artista. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) indicaram movimentações financeiras suspeitas, como detalhado em reportagem do Domingo Espetacular no domingo (7). Recentemente, a influenciadora se tornou a segunda mulher mais seguida do Brasil no Instagram.

O ponto de partida para o inquérito da PF foram os documentos e dados analisados pelo Congresso durante a “CPI das Bets”, comissão para a qual a influenciadora chegou a ser convocada a prestar esclarecimentos sobre publicidades para plataformas de apostas online. Em sua participação, Virgínia revelou que sua companhia “We Pink” movimentou cerca de R$ 750 milhões em 2023. Embora o relatório final da CPI tenha sido rejeitado no Senado, a análise da documentação reunida fez com que fosse aberta investigação na Polícia Federal.

O ponto alto da investigação é o montante recebido pela empresa da influenciadora, Talismã Digital, que somou R$ 22,4 milhões entre março e setembro de 2024, um intervalo de apenas seis meses. Dessas transferências, R$ 21,4 milhões foram via Pix e R$ 1 milhão por meio de TEDs.

maior parte desses valores foi enviada por uma única empresa processadora de pagamentos, a Amp Pay Marketing, que repassou no período R$ 17,7 milhões para a companhia de Virginia. Conforme o relatório, a inconsistência contábil nesse caso vem do enquadramento da Amp Pay no regime tributário do Simples Nacional, que tem teto legal de faturamento em R$ 4,8 milhões por ano. O fato de a empresa movimentar mais de três vezes e meia seu máximo anual só para a influenciadora acendeu os alertas da PF para potenciais manobras fiscais ou ocultação de dinheiro.

Investigação

Com a investigação instaurada, a Polícia Federal trabalha em três frentes:

  • A real origem e destino dos fundos milionários recebidos, buscando investigar se correspondem à prestação de serviços publicitários como influenciadora ou se há simulação de contratos.
  • A existência de irregularidades fiscais e financeiras pelo uso de empresas com movimentações de valores incompatíveis com suas faixas tributárias.
  • Possíveis indícios do crime de lavagem de dinheiro.

Em uma nota enviada pelos advogados de Virginia Fonseca ao Domingo Espetacular, a defesa sustentou que as transferências financeiras não comprovam qualquer tipo de irregularidade por parte da influenciadora e de suas marcas. Os advogados argumentam que o fato de uma movimentação bancária ser classificada como atípica não significa que seja um ato ilícito. A defesa de Virginia também negou qualquer vínculo da empresa da influenciadora, Wepink, com pessoas ou associados ao crime organizado, destacando que a companhia possui estrutura própria, com governança e auditoria independente e atuação seguindo a legislação brasileira.

Fonte R$ 22,4 mi em 6 meses: entenda investigações sobre empresas ligadas à Virginia | Jovem Pan