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Motoristas e cobradores de ônibus de SP voltam a paralisar atividades nesta quarta-feira; rodízio é suspenso

Apesar de sindicato patronal ter garantido reajuste salarial de 12,47% na última greve, trabalhadores afirmam que outras reivindicações, como hora de almoço remunerada, PLR e plano de carreiras, não foram atendidas. Justiça exige que 80% da frota circule.

Por g1 SP — São Paulo

29/06/2022 04h34  Atualizado há 29 minutos

Motoristas e cobradores de ônibus voltaram a paralisar as atividades nesta quarta-feira (29). A greve começou na madrugada e deve durar 24 horas. A categoria já havia parado há duas semanas.

A decisão unânime foi tomada em assembleia na sede do Sindmotoristas, na Liberdade, na região central.

Apesar de sindicato patronal ter garantido reajuste salarial de 12,47%, trabalhadores afirmam que outras reivindicações, como hora de almoço remunerada, PLR e plano de carreiras, não foram atendidas.

A Justiça exigiu a manutenção de 80% da frota em horário de pico e 60% nos demais períodos. Uma nova reunião deve ocorrer às 15h desta quarta.

A paralisação afetou os passageiros que, mesmo sabendo da greve, tinham esperança de conseguir se locomover para chegar ao trabalho. “A gente é brasileiro e a gente tenta”, disse Claudilene, no Terminal Barra Funda.

Outros usuários encararam estações de Metrô lotadas, tentavam conseguir uma carona ou dividir um carro por aplicativo para reduzir o custo, que ficou acima da média para o horário.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou a greve como irresponsável e afirmou que o sindicato não cumpriu com a determinação judicial.

“É uma irresponsabilidade muito grande do sindicato, demonstra o descumprimento da determinação judicial, que foi muito clara, era obrigado a manter 80% da frota no horário de pico e 60% nos demais horários não-de-pico, e não cumpriram.”

Linhas afetadas

Segundo a SPTrans, a paralisação afeta 675 linhas diurnas e 6.008 ônibus, que transportariam 1,5 milhão de passageiros no pico da manhã.

Por conta da greve, a prefeitura suspendeu o rodízio e liberou a circulação de veículos nas faixas e corredores de ônibus.

Durante a madrugada, 88 linhas do Noturno, de 150, não operaram.

A partir das 4h, a operação em todas as garagens dos grupos estrutural e de articulação regional foi interrompida, exceto na Express, na Zona Leste. O Grupo Local de Distribuição não foi afetado.

As vans do serviço Atende+, que transportam pessoas com deficiência de alto grau de severidade, estão operando normalmente.

A Secretaria de Transportes Metropolitanos antecipou a oferta de trens em circulação e ampliar o horário de pico.

Metrô, CPTM, ViaQuatro e ViaMobilidade estão com trens reservas em condições operacionais em todas as linhas para o atendimento à demanda.

Já a EMTU informou que poderá prestar apoio à SPtrans pelo sistema Paese caso seja solicitado.

Relação de empresas com a operação paralisada em suas garagens:

  • Santa Brígida (Zona Norte);
  • Gato Preto (Zona Norte);
  • Sambaíba (Zona Norte);
  • Viação Metrópole (Zona Leste);
  • Ambiental (Zona Leste);
  • Via Sudeste (Zona Sudeste);
  • Campo Belo (Zona Sul);
  • Viação Grajaú (Zona Sul);
  • Gatusa (Zona Sul);
  • KBPX (Zona Sul);
  • MobiBrasil (Zona Sul);
  • Viação Metrópole (Zona Sul);
  • Transppass (Zona Oeste);
  • Gato Preto (Zona Oeste)

Relação das empresas operando normalmente:

  • Norte Buss (Zona Norte)
  • Spencer (Zona Norte)
  • Express (Zona Leste);
  • Transunião (Zona Leste)
  • UPBUS (Zona Leste)
  • Pêssego (Zona Leste)
  • Allibus (Zona Leste)
  • Transunião (Zona Sudeste)
  • MoveBuss (Zona Leste)
  • A2 Transportes (Zona Sul)
  • Transwolff (Zona Sul)
  • Transcap (Zona Oeste)
  • Alfa Rodobus (Zona Oeste)

Greve do dia 14

No último dia 14, motoristas e cobradores de ônibus da cidade de São Paulo entraram em greve e todos os ônibus do chamado sistema estrutural pararam.

A paralisação afetou 713 linhas e 6,5 mil ônibus, que transportariam 1,5 milhão de passageiros no pico da manhã. De acordo com a SPTrans, os ônibus do sistema local circularam.

Apesar de o sindicato patronal ter garantido o reajuste salarial de 12,47% após a última paralisação, os trabalhadores argumentam que outras reivindicações da categoria, como hora de almoço remunerada, PLR e plano de carreiras, não foram atendidas.

“Já se passaram dois meses das nossas negociações, e os patrões mostraram-se intransigentes, pedindo prazos, paciência e protelando decisões. A categoria está estafada dessa enrolação”, afirmou o presidente em exercício do sindicato, Valmir Santana da Paz (Sorriso).

Segundo a SPTrans, a decisão judicial da greve anterior segue em vigor. Assim, deve haver um mínimo de 80% da frota circulando no horário de pico e pelo menos 60% no restante do dia. Em caso de descumprimento, está prevista a cobrança de multa de R$ 50 mil.

O Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss) “lamentou mais essa paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus, com terríveis consequências para a mobilidade da população”.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, também lamentou a decretação de greve antes mesmo do julgamento do mérito pelo Tribunal Regional do Trabalho.

“A gestora irá monitorar a frota desde o primeiro minuto da madrugada para informar os passageiros de São Paulo por seus canais oficiais sobre a situação de momento. A SPTrans continua acompanhando a negociação entre empresários e trabalhadores e espera uma breve resolução entre as partes, para que a população de São Paulo não seja penalizada”, diz a nota.

Em petição, a SPTrans pediu à Justiça do Trabalho a declaração da abusividade da greve, a imposição de multa de forma imediata. Segundo o prefeito, essa segunda greve é “irresponsável”.

O julgamento do dissídio coletivo da categoria está previsto para ocorrer nesta quarta às 15h.

Fonte: Por g1 SP — São Paulo

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/06/29/motoristas-e-cobradores-de-onibus-de-sp-voltam-a-paralisar-atividades-nesta-quarta-feira-rodizio-e-suspenso.ghtml