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Igrejas avançam contra operações de imigração nos EUA; agentes já prenderam fiel durante culto

Tribunal permite continuidade de ação contra governo Trump, mas ainda não proíbe operações em templos; processo reúne relatos de ações e medo entre frequentadores

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) montam guarda do lado de fora do Delaney Hall, que está sendo utilizado como centro de detenção do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Newark, Nova Jersey, em 29 de maio de 2026.
Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) montam guarda do lado de fora do Delaney Hall, que está sendo utilizado como centro de detenção do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), em Newark, Nova Jersey, em 29 de maio de 2026.Foto por BRYAN R. SMITH / AFP

Grupos religiosos conseguiram uma vitória na Justiça americana nesta terça-feira, 20, na tentativa de limitar operações de imigração dentro e perto de igrejas e outros templos. Por dois votos a um, um tribunal federal de apelações em Washington permitiu que avance a ação contra uma mudança feita pelo governo Donald Trump.

A disputa começou depois que o governo retirou regras que dificultavam operações de agentes de imigração nesses espaços. As organizações querem recuperar essas proteções e afirmam que o medo de prisões está afastando imigrantes dos cultos e de atividades comunitárias.

A decisão ainda não impede operações em templos. O tribunal considerou que os grupos apresentaram motivos suficientes para continuar a contestação. Agora, a Justiça de primeira instância deverá analisar os demais requisitos do pedido de proteção provisória.

As preocupações apresentadas pelas entidades incluem episódios de operações já realizadas. Um deles ocorreu em 26 de janeiro de 2025, na igreja Fuente de Vida, em Tucker, na região metropolitana de Atlanta, na Geórgia.

O hondurenho Wilson Velásquez, então com 36 anos, participava de um culto com a mulher e os três filhos quando foi preso por agentes do ICE, a agência americana de fiscalização da imigração. A celebração se aproximava do fim.

Segundo o relato publicado na época, a tornozeleira eletrônica usada por Velásquez começou a emitir um sinal. Ele saiu para não atrapalhar o culto e foi detido do lado de fora. A mulher, Kenia, contou que recebeu uma mensagem do marido e, ao sair, encontrou-o algemado dentro de um veículo.

O casal havia chegado aos Estados Unidos com os filhos em setembro de 2022 e buscava asilo. Kenia afirmou que a família deixou Honduras depois de sofrer ameaças de gangues.

Outro episódio foi relatado à Justiça pela bispa Robin Dease, da Conferência da Geórgia do Norte da Igreja Metodista Unida. Em uma declaração apresentada em abril de 2025, ela afirmou que agentes entraram no escritório da creche de uma igreja em Atlanta à procura de um funcionário que acreditavam estar em situação migratória irregular.

De acordo com a bispa, a pessoa procurada já não trabalhava no local, e os agentes encerraram a ação sem novos incidentes. O documento não identifica a igreja. Dease também relatou medo entre frequentadores, redução na participação em atividades e preparação de alternativas pela internet para alguns serviços.

Esses episódios ajudam a explicar o argumento das organizações: a possibilidade de uma operação afeta tanto a participação nas celebrações quanto o acesso a programas de alimentação, educação e assistência oferecidos pelas congregações.

A ação, identificada como Igreja Menonita dos Estados Unidos contra Departamento de Segurança Interna, reúne 27 organizações cristãs e judaicas. Foi apresentada em fevereiro de 2025.

Antes da mudança de Trump, as autoridades seguiam regras adicionais para realizar operações em locais considerados sensíveis, incluindo espaços religiosos. As orientações previam autorização de superiores e exceções para situações urgentes. Não havia uma proibição absoluta, mas existiam controles específicos.

Em abril de 2025, a juíza Dabney Friedrich negou o pedido de proteção provisória por entender que os grupos não tinham demonstrado suficientemente os requisitos necessários para levar aquela contestação adiante. As entidades recorreram.

Na decisão desta terça-feira, a maioria do tribunal de apelações considerou que as congregações enfrentam uma ameaça real de operações e que recuperar as regras anteriores poderia reduzir esse risco.

A juíza Florence Pan apresentou o voto vencedor, acompanhado pelo juiz Robert Wilkins. A juíza Neomi Rao divergiu e argumentou que o governo continuaria com ampla liberdade para decidir sobre operações mesmo com o retorno das orientações antigas.

O resultado permite que as organizações continuem buscando proteção judicial. Ainda caberá à Justiça decidir se o governo deve voltar a limitar operações nesses espaços e em quais condições.

Fonte Igrejas avançam contra operações de imigração nos EUA; agentes já prenderam fiel durante culto | Jovem Pan