Mais de 60% dos casos de gonorreia são resistentes ao antibiótico mais utilizado, diz OMS
Novo relatório da organização alerta para aumento na proporção de superbactérias que não são combatidas com os remédios
Por O GLOBO
12/12/2022 04h30 Atualizado há 2 horas
A nova edição do relatório do Sistema Global de Vigilância de Uso e Resistência Antimicrobiana (GLASS), da Organização Mundial da Saúde (OMS), traz um alerta sobre o crescimento de bactérias resistentes aos antibióticos. O cenário preocupa uma vez que, em casos que não respondem aos medicamentos, a infecção bacteriana pode ser até mesmo letal. Segundo o consórcio internacional Antimicrobial Resistance Collaborators, hoje o mundo tem cerca de 5 milhões de mortes ao ano pelo avanço do problema.
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Um dos exemplos que o novo documento destaca é o caso da gonorreia, uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Alertas anteriores da OMS já haviam destacado a doença e alertado para que médicos tenham cuidado na hora de tratá-la. Isso porque o uso errado ou excessivo dos antibióticos é justamente o que contribui para que os microrganismos se tornem resistentes a eles.
Agora, a organização afirma que mais de 60% dos casos de gonorreia são causados por uma versão da bactéria resistente a um dos remédios mais utilizados no tratamento, a ciprofloxacina, o que dificulta o combate à infecção e aumenta o risco de desfechos graves.
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O novo relatório da OMS, que reúne dados reportados por 87 países até 2020, destaca também níveis de resistência acima de 50% para bactérias que causam grande parte das infecções da corrente sanguínea em ambientes hospitalares, a Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter spp.
Esses casos requerem antibióticos de último recurso, como os carbapenêmicos. No entanto, com o aumento na demanda devido à resistência aos remédios tradicionais, essa classe de medicamentos também corre mais risco de eventualmente se tornar ineficaz. 8% das infecções da corrente sanguínea causadas por Klebsiella pneumoniae, por exemplo, já são resistentes aos carbapenêmicos, sem outra perspectiva de tratamento.
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Outro dado alarmante que aparece no relatório é que mais de 20% dos casos de Escherichia coli, causa mais comum da infecção urinária, foram resistentes tanto aos antibióticos de primeira linha, a ampicilina e o cotrimoxazol, como os de segunda linha, as fluoroquinolonas.
“A resistência antimicrobiana prejudica a medicina moderna e coloca milhões de vidas em risco. Para entender verdadeiramente a extensão da ameaça global e montar uma resposta de saúde pública eficaz à RAM (resistência antimicrobiana), devemos ampliar os testes de microbiologia e fornecer dados com garantia de qualidade em todos os países, não apenas nos mais ricos”, diz Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, em comunicado.
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A organização chama atenção para a tendência de crescimento do problema. Os casos de resistência da bactéria que causa a gonorreia e das duas mais comuns em infecções da corrente sanguínea aumentaram 15% em quatro anos.
Um dos receios dos especialistas é que o uso desenfreado e fora do recomendado de antibióticos durante a pandemia da Covid-19 pode ter agravado ainda mais o problema. No entanto, a OMS diz que são necessários mais estudos para identificar os motivos exatos por trás desse aumento e entender até que ponto o novo coronavírus teve influência.
Fonte: O GLOBO

