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Coreia do Sul cancela de shows de K-pop a compromissos de governo após tragédia de Halloween

Presidente do país decretou luto de seis dias pela tragédia com 153 mortos, incluindo 20 estrangeiros, na capital Seul

Por O GLOBO e Agências Internacionais — Seul

31/10/2022 Atualizado há 2 horas

Coreia do Sul cancelou vários compromissos, dentre shows de K-pop e festas a agendas oficiais de governo, depois do tumulto que deixou ao menos 153 mortos, incluindo 20 estrangeiros, e 134 feridos na noite deste sábado durante festividades pelo Halloween em Seul. Entre os estrangeiros mortos estão cidadãos do China, Irã, Noruega, Rússia e Uzbequistão, segundo as agência de notícias Yonhap e Tass.

O presidente do país, Yoon Suk-yeol, declarou luto nacional em memória às vítimas até 5 de novembro. Ele afirmou que o governo fará uma “investigação rigorosa” das causas e tomará medidas para “garantir” que um incidente como este “não volte a acontecer no futuro”. Informações dos bombeiros apontam que o tumulto começou por volta das 22h20 (horário local), 10h20 no horário de Brasília.

— Meu coração está apertado e é difícil conter minha dor — acrescentou o presidente, que foi ao local da tragédia na manhã deste domingo, vestido com um colete verde de emergência.

O Ministério das Finanças suspendeu uma coletiva de imprensa planejada com a mídia estrangeira, enquanto autoridades locais desmarcaram eventos, incluindo celebrações de Halloween e a cerimônia de abertura de um dos maiores festivais de vendas do país.

População participava de festividades de Halloween em Seul, capital da Coreia do Sul, quando tumulto começou — Foto: ANTHONY WALLACE/AFP

População participava de festividades de Halloween em Seul, capital da Coreia do Sul, quando tumulto começou — Foto: ANTHONY WALLACE/AFP

Um grande evento de K-pop, na cidade de Busan, também foi cancelado. Cerca de 40 mil pessoas eram esperadas, segundo a organização.

A empresa de entretenimento sul-coreana SM Entertainment anunciou que a festa de Halloween da empresa, que seria transmitida online, não será mais realizada. A Starbucks Korea e algumas lojas de departamento interromperam as promoções de produtos relacionados ao Dia das Bruxas, conforme informou a Yonhap News.

A tragédia é a segunda mais letal da história recente da Coreia do Sul em tempos de paz. O incidente aconteceu no distrito de Itaewon, onde 100 mil pessoas — a maioria adolescentes e jovens na faixa dos 20 anos — chegaram na noite de sábado, enchendo seus becos e ruas sinuosas, na primeira grande festa em Seul após a pandemia.

Testemunhas contaram como as pessoas tentaram sair da multidão sufocante empilhando-se umas sobre as outras enquanto os paramédicos, sobrecarregados pelo número de vítimas, pediam aos transeuntes que os ajudassem a prestar os primeiros socorros.

Choi Seong-beom, do Corpo de Bombeiros, explicou que “o alto número de vítimas se deve ao fato de muitas terem sido pisoteadas”.

Imagens da AFP mostraram vários corpos deitados na rua cobertos por cobertores ou mortalhas improvisadas, e socorristas carregando corpos.

— Muitos transeuntes vieram nos ajudar. É difícil descrever em palavras. Os rostos de tantas vítimas estavam pálidos. Eu não conseguia sentir seu pulso ou respiração e muitos tinham o nariz sangrando — disse, em entrevista à rede local YTN, o médico Lee Beom-suk.

Primeira festa pós-Covid

As autoridades disseram neste domingo que não tinham ideia clara do que causou a debandada. A festa de Halloween foi a primeira em Seul desde o início da pandemia de coronavírus.

— A multidão esperada em Itaewon não era muito diferente dos anos anteriores — disse o ministro do Interior Lee Sang-min, explicando que, por isso, a polícia mobilizada para o evento foi “semelhante à de antes”.

Muitos líderes internacionais expressaram sua consternação.

“Estamos de luto com o povo da República da Coreia e enviamos nossos melhores votos de rápida recuperação a todos os feridos”, disse o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em nota.

O presidente chinês, Xi Jinping, disse neste domingo que estava “chocado” ao expressar “profundas condolências”.

O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, entre outros, também expressaram sua consternação.

Fonte: O GLOBO e Agências Internacionais — Seul

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