Palmeiras x WTorre: Justiça pede garantia de valor à construtora; cobrança sobe para R$ 136 milhões
Juíza quer que a empresa comprove que tem condições de pagar a quantia cobrada pelo Verdão
A Justiça pediu à Real Arenas, braço da WTorre responsável pela gestão do Allianz Parque, que apresente garantia idônea do valor cobrado pelo Palmeiras.
O clube aumentou para R$ 136 milhões a quantia que cobra da construtora referente a receitas que não foram repassadas desde 2015.
A decisão veio da mesma juíza que suspendeu a cobrança, no mês passado. O Palmeiras entrou com embargo de declaração pedindo esclarecimentos. A nova decisão saiu na terça.
Na prática, a Justiça ainda não diz que a WTorre tem de pagar ao clube, mas pede que mostrem garantias de que há como pagar o débito.
Procurada, a WTorre avisou que “não se manifestará a respeito da solicitação”. O Palmeiras comunicou à reportagem que “segue empenhado em garantir o recebimento do valor total da dívida, que é líquida, incontroversa e confessada pela própria Real Arenas por meio de relatórios mensais”.
O que o Palmeiras cobra?
O processo é referente a percentuais de receitas do Allianz Parque, como locação para shows, exploração de áreas como lanchonetes e estacionamentos, além de locações de cadeiras, camarotes e naming rights. O valor que o Palmeiras tem direito aumenta ao longo dos 30 anos de parceria (veja a tabela completa abaixo).
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Allianz Parque é motivo de discussão entre Palmeiras e WTorre — Foto: Foto: Marcos Ribolli
A presidente Leila Pereira disse que o Verdão não recebe nada destas fatias desde 2015. A ação beirava os R$ 128 milhões, mas como o clube diz que continua não recebendo, atualizou o valor para R$ 136 milhões. A WTorre admite o débito, mas contesta o valor.
A construtora justifica que há discussões sobre valores a pagar e a receber da parceria na corte arbitral. A cobrança citada, porém, está sendo feita pelo Palmeiras na Justiça Comum. A ação foi aberta em 2017.
A avaliação no clube é de que a dívida é incontroversa, pois a WTorre apresenta relatórios mensais, como previsto no acordo, detalhando as receitas que o Palmeiras teria direito a um percentual.
Por isso, também entende que não pode ser tratada como um tópico da arbitragem, onde os parceiros negociam temas em que há divergência de interpretação no contrato.
Caso também está na polícia
Além da ação na Justiça, o Palmeiras pediu, e a polícia abriu inquérito para investigar a Real Arenas, braço da WTorre responsável pelo Allianz. A diretoria alviverde deseja que se apurem possíveis crimes de apropriação indébita e associação criminosa.
O ge publicou no mês passado uma entrevista com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, que fez duras críticas à parceria.
Além de falar sobre a cobrança, a dirigente respondeu que financeiramente a gestão da arena tem sido um “péssimo negócio” para o clube.
– A Real Arenas não paga ao Palmeiras há oito anos. Desde o fim de 2014, pagaram apenas sete meses do que o clube tem direito, de percentuais de receitas, como aluguel para shows, naming rights, restaurantes, cadeiras, camarotes. Quando falam que o Allianz é um case de muito sucesso, não é um case de sucesso. Seria, se pagassem o que devem – detonou a dirigente.
A WTorre, em nota, rebateu:
– Reafirmamos que este é um modelo de negócio vencedor e que tem sido extremamente positivo para todas as partes.
Jogos fora de casa em 2023
A presidente alviverde diz temer retaliação da WTorre por conta da ação movida para receber os R$ 136 milhões, com possíveis marcações de eventos que tirem o Verdão do Allianz Parque na reta final da temporada.
A construtora responde que ao todo serão seis jogos do Palmeiras fora da arena, número dentro da média dos últimos anos. Há no clube, porém, a reclamação de que nunca os jogos foram em fase tão decisiva como agora: o Verdão não terá sua casa nas 32ª (Athletico-PR), 34ª (Internacional) e 36ª (América-MG) rodadas do Brasileirão.
Até quando vai a parceria entre Palmeiras e WTorre?
Os 30 anos da parceria começaram a valer a partir da inauguração da arena, no fim de 2014. Ou seja, o contrato entre o clube e a construtora é válido até novembro de 2044.
Qual o percentual a que o Verdão tem direito nas receitas?
As receitas do Palmeiras pela locação da arena para eventos, além da exploração de áreas como lojas, lanchonetes e estacionamento são:
- Até 5 anos da abertura: 20%
- De 5 anos até 10 anos da abertura (estágio atual): 25%
- De 10 anos até 15 anos da abertura: 30%
- De 15 anos até 20 anos da abertura: 35%
- De 20 anos até 25 anos da abertura: 40%
- De 25 anos até 30 anos da abertura: 45%
Já as receitas pela locação de cadeiras, camarotes, além do naming rights com a Allianz são:
- Até 5 anos da abertura: 5%
- De 5 anos até 10 anos da abertura (estágio atual): 10%
- De 10 anos até 15 anos da abertura: 15%
- De 15 anos até 20 anos da abertura: 20%
- De 20 anos até 25 anos da abertura: 25%
- De 25 anos até 30 anos da abertura: 30%
Fonte Por Emilio Botta e Thiago Ferri

