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PF deflagra operação contra suspeitos de exploração sexual de meninas e mulheres na Terra Yanomami

Quatro pessoas são alvos de mandados da polícia, neste sábado (18), em Boa Vista. Segundo a PF, grupo foi responsável por aliciar adolescente de 15 anos resgatada nesta semana.

PF encontra joias e ouro na casa de investigado por exploração sexual de meninas e mulheres em garimpos na Terra Indígena Yanomami  — Foto: PF/Divulgação

PF encontra joias e ouro na casa de investigado por exploração sexual de meninas e mulheres em garimpos na Terra Indígena Yanomami — Foto: PF/Divulgação

Dois mandados de prisão foram cumpridos pela Polícia Federal na manhã deste sábado (18), em Boa Vista. Os alvos, duas irmãs, são suspeitas de envolvimento com a exploração sexual de meninas e mulheres em garimpos na Terra Indígena Yanomami.

Ao todo, quatro pessoas são alvos de mandados da polícia. Os principais alvos da operação são as duas irmãs e o marido de uma delas. Eles têm relação direta com o esquema criminoso.

Este mesmo grupo, também responsável por recrutar as vítimas, atraiu uma adolescente de 15 anos, resgatada esta semana pela PF. A menina passou cerca de 30 dias numa área de garimpo e relatou ao Conselho Tutelar que fazia até 16 programas por noite.

São cumpridos quatro mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pela Vara de Crimes contra Vulneráveis da Justiça Estadual de Roraima.

Após o resgate da menina, a PF identificou as pessoas que estariam envolvidas na logística e na operacionalização do esquema criminoso, que envolve o envio de mulheres e de adolescentes para serem exploradas sexualmente em regiões de garimpo, inclusive mediante o engano delas.

Foi identificado que os aliciadores atraem as vítimas pelas redes sociais com promessas de ganhos irreais – isso aconteceu com a adolescente resgatada. Ela foi chamada para trabalhar na cozinha do garimpo e ganhar até R$ 5.800 em um mês, mas, ao chegar no local, descobriu que teria de se prostituir.

“Por meio de perfis falsos em redes sociais, os aliciadores fariam o contato com mulheres e adolescentes, ofertando a possibilidade de trabalharem no garimpo nas mais variadas áreas (inclusive na prostituição) com promessa de ganhos irreais. Após serem convencidas, um motorista à serviço do grupo criminoso buscaria as vítimas aliciadas, levando-as até uma pista clandestina, onde eram transportadas por avião até a área do garimpo. Lá chegando, em condições de extrema precariedade, as vítimas eram informadas e cobradas pelos custos do transporte, que custaria até R$ 10.000,00 gerando, a partir daí, uma dívida inicial com os gerentes do grupo criminoso”, detalha a PF.

Todo o sustento das vítimas, da alimentação até a moradia, era cobrado pelos aliciadores, de modo que a impedi-las de saírem de lá enquanto não quitassem a dívida.

Na tentativa de quitar dívidas cada vez maiores, “as vítimas chegavam a realizar até 15 programas por noite, além de sofrerem ameaças caso não quisessem se prostituir”.

A ação contra os criminosos foi denominada operação Palácios, em referência à Lei Palácios, primeira lei contra a exploração sexual de crianças e tráfico de mulheres e que entrou em vigor na Argentina em 1913.

Vítimas ou pessoas que saibam de situações semelhantes podem denunciar anonimamente à PF em Roraima por meio do telefone (95) 3621-1500 ou direto na Superintendência.

Fonte Por g1 RR — Boa Vista

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