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Bastidores: clima já era de tensão bem antes do caos em Sport x Vasco

Empate na Ilha do Retiro tem sabor de vitória para os vascaínos, mas jogo fica em segundo plano

Por Emanuelle Ribeiro — Recife

17/10/2022 04h01  Atualizado há 18 minutos

A forma como terminou o jogo entre Sport e Vasco , no último domingo, surpreendeu pelas cenas de violência e caos na Ilha do Retiro, mas a tensão já cercava o confronto há dias pelo clima de decisão com as duas equipes no páreo pelo acesso. O empate em 1 a 1 ficou em segundo plano em um jogo que precisou ser encerrado antes do apito do árbitro.

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A invasão de campo por alguns torcedores do Sport, após comemoração de Raniel em gol que empatava o jogo aos 48 minutos do segundo tempo, e os conflitos nas arquibancadas do estádio impediram que a partida terminasse dentro de campo. Os jogadores do Vasco correram para o vestiário e não voltaram mais. O sentimento de insegurança tomou conta.

Clima hostil desde muito antes do jogo

Na véspera do jogo, torcedores do Vasco já relatavam o receio pela segurança na Ilha. Vascaínos saíram de vários lugares do Nordeste a caminho do Recife para comprar ingressos apenas no dia da partida, como foi determinado pelo Sport. Teve gente que entrou na fila antes das 7h.

Torcida do Vasco fez fila desde 7h para comprar ingresso na Ilha do Retiro — Foto: Reprodução

Torcida do Vasco fez fila desde 7h para comprar ingresso na Ilha do Retiro — Foto: Reprodução

No dia anterior, a reportagem já havia presenciado confusão e ouvido relatos de agressão a pelo menos uma pessoa, que segundo torcedores era um cambista, na troca de ingressos da torcida local. No domingo houve tumultos na venda para visitantes.

A chegada à Ilha do Retiro também não foi tranquila. Já na entrada dos torcedores do Sport houve uso de gás de pimenta. Do lado do Vasco mais confusão. Pessoas relataram dificuldades para acessar o estádio, e alguns vascaínos precisaram ser escoltados. Torcedores do Santa Cruz, rival do Sport, foram abordados pela polícia no entorno da Ilha. Alguns se juntaram à torcida visitante na arquibancada.

– A Polícia Militar realizou uma abordagem a torcedores da Torcida Inferno Coral no entorno da Ilha do Retiro. Os referidos estavam sem ingresso e foram orientados a seguirem outro destino – disse a PM por meio da assessoria de imprensa.

Do lado de dentro do estádio a tensão continuou. A torcida do Sport fez linda festa no primeiro tempo e pressionou o adversário com muito barulho vindo das arquibancadas. Mas já antes do intervalo alguns torcedores locais intimidaram uma equipe de análise do Vasco que estava numa cabine perto da torcida rubro-negra – um torcedor chegou a arremessar uma lata contra os profissionais.

O gol de Labandeira aos 19 minutos da segunda etapa fez a Ilha explodir, e o nervosismo passou a ser o maior adversário do Vasco em campo até o pênalti marcado com auxílio do VAR, já aos 45 minutos. Quando Raniel cobrou e marcou, o atacante partiu rumo à torcida adversária para comemorar. O caos foi instaurado de vez. Rubro-negros tentaram invadir, agrediram outros torcedores e profissionais que trabalhavam no jogo e precisaram ser contidos por policiais.

Não havia mais clima para ter jogo na Ilha do Retiro, mas jogadores, dirigentes e torcedores do Sport fizeram pressão pelo retorno do Vasco e o fim da partida dentro das quatro linhas. O empate era terrível para os planos do mandante. Após quase 60 minutos de paralisação o árbitro decidiu por encerrar o jogo, e os relatos posteriores são graves.

O Vasco se trancou dentro do vestiário, e policiais precisaram intervir para que jogadores e dirigentes do Sport não invadissem o local. Mesmo assim houve tentativa de arrombamento e agressão a profissionais vascaínos por parte de profissionais rubro-negros, segundo relataram pessoas do clube carioca.

– Houve uma tentativa de invasão do vestiário, a gente teve profissionais nossos e atletas agredidos, e o árbitro nos convocou para uma reunião, com representantes de cada lado, com a Polícia Militar presente. Por falta de segurança, o árbitro deu o jogo como encerrado, uma decisão sensata para evitar uma tragédia maior – disse o diretor esportivo do Vasco, Paulo Bracks.

Só depois de três horas o Vasco conseguiu deixar a Ilha do Retiro rumo ao seu hotel. Na chegada o clima entre jogadores era tranquilo, com a felicidade pelo resultado apesar do susto, mas profissionais do clube relataram medo. A apreensão era visível. O departamento jurídico vascaíno tomará as medidas cabíveis.

Fonte:  Emanuelle Ribeiro — Recife

https://ge.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2022/10/17/bastidores-clima-ja-era-de-tensao-bem-antes-do-caos-em-sport-x-vasco.ghtml