Crise envolvendo o Palmeiras quase tirou Paulo Machado de Carvalho da Copa de 62
O chefe da delegação nacional ameaçou não viajar ao Chile depois de uma punição ao time paulista
Divulgação
Paulo Machado de Carvalho foi um dos maiores dirigentes da história do futebol brasileiro
Faltando pouco mais de dois meses para a estreia da seleção na Copa de 1962, no Chile, em maio, o futebol brasileiro mergulhou em uma crise inusitada que provocou um mal estar entre o Conselho Nacional de Desportos e o Palmeiras. Tudo começou quando o príncipe Philip, duque de Edimburgo, marido da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, anunciou uma visita ao Brasil para março daquele ano.
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Crise envolvendo o Palmeiras quase tirou Paulo Machado de Carvalho da Copa de 62
O chefe da delegação nacional ameaçou não viajar ao Chile depois de uma punição ao time paulista
- Por Thiago Uberreich
- 19/01/2026 07h00
Divulgação
Paulo Machado de Carvalho foi um dos maiores dirigentes da história do futebol brasileiro
Faltando pouco mais de dois meses para a estreia da seleção na Copa de 1962, no Chile, em maio, o futebol brasileiro mergulhou em uma crise inusitada que provocou um mal estar entre o Conselho Nacional de Desportos e o Palmeiras. Tudo começou quando o príncipe Philip, duque de Edimburgo, marido da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, anunciou uma visita ao Brasil para março daquele ano.
O representante da monarquia britânica queria assistir a um jogo com o Rei Pelé. A Federação Paulista de Futebol marcou então um amistoso entre Santos e Palmeiras para o dia 18 de março. O problema é que na véspera seria disputada a decisão do Rio São Paulo entre o time alviverde e o Botafogo do Rio de Janeiro. Uma lei do CND determinava que um clube só poderia voltar a campo em um intervalo de 72 horas entre as partidas. Se o Palmeiras jogasse o amistoso, corria o risco de ser punido por 60 dias. O chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, defendeu então que a final do Rio São Paulo fosse adiada, mas o presidente da CBD (atual CBF), João Havelange, não aceitou. Outros cartolas entraram na jogada e propuseram alternativas para que o impasse fosse superado.
Depois de perder a final para o Botafogo por 3 a 1, no Maracanã, o time de Palestra Itália participou do amistoso no Pacaembu, em São Paulo, no dia seguinte. O Santos venceu o duelo por 5 a 3, com destaque, claro, para Pelé, que balançou as redes duas vezes e arrancou aplausos do príncipe Philip.
O CND anunciou então a suspensão do Palmeiras por dois meses. O jornal O Globo, de 20 de março de 1962, trouxe a manchete: “Crise no futebol depois da punição do Palmeiras”. A publicação relatou as ameaças feitas por Paulo Machado de Carvalho: “Imediatamente, Paulo Machado de Carvalho declarou que estava solidário ao Palmeiras, entregando a chefia da delegação e a vice-presidência da entidade [CBD] a João Havelange, dizendo-se também suspenso por 60 dias, não podendo mais trabalhar pelo ‘scratch’.” No mesmo dia do anúncio da punição, foi divulgada a lista definitiva dos convocados para a Copa.
Em meio às ameaças de Paulo Machado de Carvalho de não viajar ao Chile, o clima ficou insuportável quando clubes cogitaram não liberar jogadores para a seleção. Entretanto, depois de muito barulho e pressão, a cartolagem de São Paulo conseguiu uma vitória parcial, considerada satisfatória. O Conselho Nacional de Desportos abrandou a pena do Palmeiras para trinta dias e tudo acabou sendo esquecido.
Para o bem do futebol brasileiro, Paulo Machado de Carvalho continuou na seleção que conquistou, no Chile, o bicampeonato mundial de futebol.
Fonte Crise envolvendo o Palmeiras quase tirou Paulo Machado de Carvalho da Copa de 62 | Jovem Pan

